03/11/2010

Acreditar


Você tem o dia todo para ficar triste e se sentir só, na imensidão da sua mesa de trabalho, no silêncio do celular que não toca. Mas há sempre aquela fagulha infantil de felicidade. E por qualquer coisa ela se acende. Um sms bobo, lembrar de uma piada interna e rir internamente também. Comprar chocolates. Brincar que está trabalhando em um projeto muito sério quando na verdade é só o que você já faz todos os dias. Fechar os olhos e literalmente sonhar acordada com uma data distante do calendário.

Fazer planos, acreditar.

Mas a fagulha tem um fogo muito frágil, até reles. Tão rápido se acende, tão rápido se apaga. Se não respondem suas perguntas, se ao se olhar no espelho você achar um machucadinho que não estava ali. Se pensar que suas roupas estão muito velhas. Ou se resolver encarar o silêncio no trabalho como algo opressor.

Tudo muda o tempo todo, pelo nosso olhar. Fosse uma montanha-russa: me seguro forte nas descidas. Recebo com euforia e braços abertos a guinadas que ela dá.

Mas o tempo todo permaneço meio alheia, sabendo que não passa de uma brincadeira que eu mesmo invento. E tento prolongar a alegria ensandecida de saber que o controle da brincadeira é meu, enquanto vejo fagulhas se acenderem e se apagarem na minha frente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário